Autores: COSTA, A.P.R. e COLOMBO, L. B.
Olá, sou Lucas Colombo, Clínico no Instituto Luspe, e venho falar sobre um assunto que afeta uma boa parcela de nossa população. Hoje, segundo dados atuais da OMS, 26,8% da população brasileira enfrenta a ansiedade.
A ansiedade pode ser experimentada e manifestada de diversas maneiras, como um sentimento constante e persistente, ou através de crises.
É uma experiência desconfortável e ninguém está livre de se deparar com ela em algum momento da vida, por isso, pode ajudar, conhecer um pouco sobre suas possíveis causas. O primeiro passo na direção de qualquer melhora é a identificação.
A ansiedade é uma resposta frente a situações de estresse ou perigo, percebidos, então, nas apresentações de trabalhos, reuniões, projetos importantes no espaço profissional, provas, confronto com diagnósticos de doenças preocupantes, notícias difíceis, crises financeiras… A ansiedade pode ser desencadeada também por gatilhos, reconhecidos ou não.
No entanto, quando a ansiedade se torna excessiva, persistente e interfere nas atividades diárias, ela pode ser considerada um transtorno, requerendo um cuidado maior.
Podemos identificar a ansiedade quando vivemos:
- Preocupação constante;
- Sensação de irrealidade;
- Insegurança e Medo;
- Problemas para dormir;
- Apreensão contínua;
- Dificuldade de concentração;
- Irritabilidade;
- Tristeza;
- Pensamentos desconexos;
- Náuseas e diarreia;
- Problemas digestivos;
- Calafrios, sudorese e tremores;
- Taquicardia e dores no peito;
- Respiração acelerada e falta de ar;
- Boca seca;
- Tensão Muscular, principalmente no pescoço e nos ombros;
- Braços dormentes.
A ansiedade é um sinal de que precisamos nos ouvir mais, reconhecer quando sentimos medo e por que o sentimos. Acolhendo o efeito que a vida nos causa e buscando segurança. Assimilar a vida exige certa temporalização, espaços em que vc pode ficar com seus pensamentos analisando seu dia e aprendendo consigo mesmo. Não apenas vivendo um dia atrás do outro no automático.
Tudo ao nosso redor nos afeta de algum modo. É importante que ao invés de nos criticarmos ou esconder o que sentimos, possamos, sem leviandade, olhar para o que sentimos com tempo e calma. Levando mais a sério a experiência de viver que acontece dentro de nós. Reconhecendo o próprio jeito de ser e de viver.
Comparações com outras pessoas, ou a necessidade de seguir padrões externos, metas, performances, podem violentar nossa identidade. Exigindo de nós algo muito diferente do que somos ou gostaríamos, então podemos acelerar porque estamos encurralados, confusos e ou frágeis. Sempre que puder faça pausas, e use a sua respiração.
Sentir ansiedade é como ter um frio na barriga que sobe e desce o tempo todo. Quando sentir algo parecido, comece a respirar mais profundamente, e enquanto isso, busque as razões para seu medo, dúvida, insegurança ou sobrecarga, assim como o que pode torná-lo mais leve e seguro. Trabalhe no aqui e agora. Nesse sentido vale tbm dar uma caminhada, receber abraços, palavras de confirmação e conforto, ou apenas falar para descongestionar. Essas são ações que lhe permitam uma regulação emocional mínima para que seja possível seguir o dia com menos custo. Procure lembrar quais ações que vc conhece que lhe acalmam, e as use como ferramentas.
Encontrar formas mais idôneas de viver reduz a ansiedade. E a boa notícia é que qualquer ação que vc faça buscando aumentar sua segurança já traz resultado. Por exemplo, se vc sabe que terá um dia difícil pela frente, pense em formas de enfrentá-lo de modo mais confortável para você!
Pode ser até deixando uma xícara de chá sobre a mesa. Seu sistema interno logo receberá a mensagem de que vc está se atendendo, e isto, pode torná-lo mais apropriado, contribuindo para ações seguras e tranquilizadoras.
Culpas e ruminações não ajudam. Seja legal consigo. Antidoto para ansiedade é reconhecer tudo que vem dando certo e o que ainda virá a dar certo.
Como diz a Dra. Gabriela Casellato “é muito importante encontrarmos formas de ficarmos bem em nossos aquários”.